“Os empreendedores estão criando o que vai ser a sociedade no futuro”, diz André Barrence

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Durante o Festival de Inovação e Cultura Empreendedora, o diretor do Google for Startups conversou com Camila Junqueira, da Endeavor

André Barrence, diretor do Google for Startups no Brasil, Camila Junqueira, diretora-geral da Endeavor Brasil, e Marcos Coronato, editor-executivo de Época NEGÓCIOS, durante o Festival de Inovação e Cultura Empreendedora (Foto: Alexandre DiPaula/Época NEGÓCIOS)

O papel dos empreendedores não é o de apenas seguir as leis, mas de construir valores que irão guiar a sociedade e a legislação no futuro. Essa foi a discussão que aconteceu na manhã desta terça-feira (04/12) entre Camila Junqueira, diretora-geral da Endeavor Brasil, e André Barrence, diretor do Google for Startups no Brasil. Na opinião dos dois, os empreendedores e os negócios de sucesso são aqueles que conseguem enxergar tendências e trabalhar pensando no futuro.

A visão dos empreendedores sobre o que é ser ético e honesto, diz Camila, mudou muito ao longo dos últimos anos. “Quando a Endeavor chegou no Brasil [há 18 anos], era um desafio selecionar quem acreditasse ser possível crescer sem manobras nas contas, para driblar o excesso de tributação no Brasil”, afirma. “Hoje, isso não é sequer uma questão. Precisamos trabalhar para diminuir a complexidade e a burocracia, mas burlar a lei não é mais uma discussão”. Atualmente, diz ela, vários empreendedores colocam no seu negócio valores que ainda não são lei, mas que podem vir a se tornar em 5 a 10 anos, como a preocupação com a sustentabilidade, por exemplo.

Para Barrence, além de ser inaceitável burlar a lei, isso “também reduz o seu valor percebido enquanto empresa e empreendedor”. Segundo ele, empreendedores precisam estar atentos aos impactos de seu negócio na sociedade como um todo. Isso tem um valor ético, mas também é uma questão de negócios. “Considero os valores socioeconômicos e ambientais como os mais importantes porque, apesar de intangíveis, são os que geram valor no longo prazo”.

“As leis são mais lentas do que a evolução da sociedade”, diz Barrence. Por isso, a importância da cultura dentro das empresas, que muitas vezes serve como uma forma de “ir um passo além da própria lei e criar boas condutas para construir o que vai ser a legislação no futuro”.

Um exemplo, segundo Camila, é o desperdício e o excesso de lixo e resíduos gerados pelas indústrias. “Não há nenhuma lei sobre isso, mas alguns empreendedores trabalham nisso há alguns anos, especificamente para reduzir o desperdício e trazer matérias-primas mais sustentáveis, olhando lá para a frente, pensando no que talvez um dia vire lei”, diz.

Foi o caso, segundo Barrence, das legislações sobre proteção de dados. “Existem questões na lei que são cuidados que todo e qualquer empreendedor que trabalha com dados deveria ter. É uma maturação, e era óbvio que o mercado iria caminhar nessa direção de dar mais segurança aos dados”, afirma. Os empreendedores que já se preocupavam com essa questão mesmo antes da lei, diz ele, já saem em vantagem em relação aos demais.

Durante o Festival de Inovação e Cultura Empreendedora, evento organizado por Época NEGÓCIOS, Pequenas Empresas & Grandes Negócios e Valor Econômico, Camila ressaltou que esses valores se tornam diferencial competitivo para as empresas. “As pessoas hoje buscam marcas que acreditam nos mesmos valores que elas e olham para as práticas das empresas”. Antes, diz ela, era raro que o consumidor pensasse nisso para escolher entre uma marca e outra, mas hoje esse dado pode ser crucial para o crescimento.

As tecnologias, afirma Barrence, podem ajudar nessa construção de marca. “Nunca foi tão fácil ser honesto”, diz. Em paralelo, criou-se um grande mercado em torno da transparência, com empresas focadas em tornar as informações e as regulamentações acessíveis, como as chamadas regtechs.

POR DANIELA FRABASILE

Fonte: Época Negócios.

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