INDÚSTRIA 4.0 – Empresa ensina profissional que não programa a criar robôs

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Executivo diz que 67 mil horas deixaram de ser gastas com tarefas repetitivas após criação de sistemas

William Almeida, 25, começou a trabalhar na empresa do setor de energia EDP em 2015 cuidando de planilhas de recursos humanos.

Três anos depois, boa parte das atividades que fazia já foi automatizado por softwares desenvolvidos pela empresa. Não que isso tenha sido um problema para ele. Na verdade, Almeida, que pouco sabia de programação, foi um dos responsáveis por criar o robô que passaria a cuidar da folha de pagamentos em seu lugar.

Desde 2017, a empresa já criou mais de cem sistemas que automatizaram tarefas repetitivas em diversas áreas.

William Almeida e Wladimir Ramalho lado a lado no escritório onde trabalham
William Almeida, (à esq.) analista da folha de pagamentos, e Wladimir Ramalho, consultor de aplicações financeiras, da distribuidora de energia EDP – Zanone Fraissat/Folhapress

São robôs que recolhem impostos automaticamente, enviam comunicados para consumidores quando sua solicitação é respondida e cuidam de processos da área contábil, por exemplo.

Para desenvolvê-los, a EDP criou uma unidade dedicada a encontrar tarefas que poderiam ser feitas por sistemas como esses, o Centro de Excelência da Robotização. A área tem uma equipe fixa de apenas quatro profissionais. Para gerar inovação e produzir em larga escala, faz parcerias com pessoas de outros departamentos.

O diretor de tecnologia da informação Marcos Penna diz foram treinados 40 profissionais da EDP, a maioria sem conhecimento prévio de tecnologia, para que passassem a colaborar com ideias e mão de obra na criação de robôs.

Eles foram submetidos a uma formação intensiva de um mês, período no qual já aprendiam programação.

Para chegar a isso, o mais importante é ter habilidades para trabalhar com lógica e encadear as atividades que o sistema deve fazer —a ferramenta usada pela empresa não exige conhecimento de nenhuma linguagem de programação, diz Penna.

Segundo ele, trazer pessoas com conhecimentos variados para o programa melhora a qualidade da inovação.“Essa diversidade permite que surjam mais ideias para melhoria de processos, acaba sendo algo muito produtivo”.

Wladimir Ramalho, consultor de aplicações financeiras e responsável pelo centro, afirma que alguns robôs podem ser criados em quinze dias, enquanto os mais complexos demandam até seis semanas.

O processo, em geral, envolve detalhar as atividades que serão incorporadas pelo software com o profissional que a executa rotineiramente, criar o sistema e depois testá-lo antes de sua implementação.

Almeida, que deixou o RH e hoje se dedica ao centro de robotização, diz que o contato com tecnologia o fez ter interesse por estudar mais a área e direcionar sua carreira a ela.

Por outro lado, admite que as primeiras lições o assustaram.“No começo era muito difícil. Quando ouvia especialistas, pensava, ‘como vou fazer isso?’ Ia para casa e passava horas pensando em como montar o robô. Depois a gente entende que, se dedicando, não é um bicho de sete cabeças.”

Segundo Penna, os robôs criados pela empresa garantem uma economia de 67 mil horas de trabalho que deixam de ser dedicadas a tarefas repetitivas, equivalentes a uma economia de R$ 5,8 milhões por ano. A companhia tem 3.000 funcionários.

Mesmo com essa economia, Penna diz que o objetivo não é eliminar pessoas a partir da automação. Em vez disso, se busca tirá-las de tarefas repetitivas para permitir aos profissionais se dedicar a tarefas mais complexas e analíticas, diz o executivo.

Por Filipe Oliveira – SÃO PAULO

Fonte: Folha de São Paulo.

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